16 de outubro de 2019

Tratamento cirúrgico para síndrome do impacto: O que os últimos estudos dizem?

Tratamento cirúrgico para síndrome do impacto subacromial não demonstrou qualquer benefício para alívio da dor e melhora da função do ombro a curto prazo, comparado com intervenções não cirúrgicas e com intervenções cirúrgicas simuladas
Paciente com dor no ombro vai ao médico.
O médico primeiro encaminha para fisioterapia.
Por vezes não damos devida atenção na montagem de protocolos de reabilitação bem estruturados, pautado em minimizar deficiências adquiridas, em dar suporte às estruturas que merecem incremento de força e adequação de sua biomecânicas frente a estes déficits. O complexo do ombro é uma estrutura basicamente dinâmica: é uma bola apoiada em uma colher, uma outra articulação por vezes pontuda gerando impacto, uma falsa articulação por vezes fora de ritmo, um monte de músculo uns mais fracos que outros tentando fazer toda essa engrenagem se movimentar adequadamente. Merece cuidado e atenção do terapeuta.
As dores continuam. Cronifica. O paciente rumina, amplifica, se sente desamparado com a experiência dolorosa - tríade da catastrofização.
O paciente volta ao médico e agenda cirurgia.
E por vezes nada muda.
Khan e cols avaliaram a eficácia da cirurgia para síndrome do impacto subacromial comparada com grupo conservador e placebo -tratamentos cirúrgicos simulados: artroscopia diagnóstica sem intervir para melhora.
Verificaram que o tratamento cirúrgico não demonstrou qualquer benefício para alívio da dor ou melhora da função a curto prazo. Verificaram uma pequena melhora clinicamente sem importância nos desfechos funcionais a longo prazo...
Destacaram a importância da crença do paciente com o tratamento proposto, onde pacientes tinham sensação maior de que seria possível se curarem pela cirurgia.
Moral da história:
▪️Conduzam com cuidado, foco e bastante prática com evidências suas condutas fisioterapêuticas. Despertem este poder de que podem auxiliar o paciente na resolução de seus males pela reabilitação, pois ele vai pra cirurgia se mal tratado pela fisioterapia, e a chance dele se frustar ainda mais após ela é grande, pois há bem chancelado um risco real dela não auxiliar como ele pensa.
▪️ Sinergia terapeuta-paciente, boas práticas de tratamento, condução da reabilitação educando seus pacientes sobre cada passo, foco nas queixas.... faça uma fisioterapia robusta e nos eleve ao patamar que a literatura nos coloca frente a cirurgia.

Fonte: Khan et al. CMAJ Open 2019. Metanálise de ensaios clínicos controlados. Adaptação e tradução pelo fisioterapeuta Rogerio Liporaci.