19 de maio de 2019

“Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”

“Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”
Independentemente da sua idade, leitor, você já deve ter ouvido esse bordão de Paulo Cintura em algum momento da sua vida. Esse personagem chamava atenção para cuidados sobre saúde e alimentação, além de incentivar a prática de exercícios físicos. Muitos indíviduos ainda acreditam que exercício físico não é realmente seguro para alguém com o “problema” deles. 

O trabalho do profissional de saúde que trata pessoas com dor consiste, então, em assegurar que os indivíduos que sofrem de uma dor aguda ou crônica da coluna cervical ou lombar também acreditem que todo resto não precisa de pressa. Entender de uma vez por todas que repouso e remédio não são as únicas saídas para seu problema e que é muito melhor usar seu tempo ganhando saúde do que tratando a doença.

Infelizmente, muitas pessoas recebem informações assustadoras e inapropriadas sobre exercícios físicos e dor. Isso faz com que elas desenvolvam medo, evitação e descondicionamento, além de uma gama de comportamentos dolorosos e mal adaptativos. A prática clínica apresenta aos terapeutas diariamente indivíduos cheios dessas crenças e atitudes, e para fazer jus ao juramento de fisioterapeuta e assegurar aos pacientes o bem-estar físico, psíquico e social, tais fisios precisam vestir seus jalecos de caçadores de mitos.

É importante que o fisioterapeuta desenvolva a habilidade de desmitificar crenças negativas através de uma conversa reflexiva, dando sentido à dor do indivíduo, fazendo uma exposição gradual à movimentos e ao retorno à prática de atividade física. Não é fácil, tampouco impossível. Uma receita que costuma funcionar é a seguinte: Tentar permanecer ativo e a evitar o repouso prolongado na cama. Fazer um retorno gradual às atividades cotidianas. É possível achar um equilíbrio entre não se movimentar nada e se movimentar dentro do tolerável. Assim como na recuperação de uma entorse de tornozelo, existe uma diferença entre desconforto/adaptação e dor/incapacidade. Muitas das vezes, precisamos apenas estar mais atentos à quantidade (volume) de movimentos e posturas que adotamos, ao modo como fazemos, e à dar mais tempo para nossos corpos para se acostumar com novas atividades.

Quando uma forte aliança terapêutica é construída, é possível que o fisioterapeuta promova novas experiências para o paciente e o ajude a resgatar sua confiança. Todos precisam compreender que exercício ajuda a reduzir dor e a prevenir futuros episódios. Eu sei que você deve estar aí agora se perguntando: “mas qual é o melhor exercício para quem sofre de dor lombar?” Certo? E eu não hesito em responder, e torço para que todos os meus colegam também respondam, que é aquele que o indivíduo for capaz de fazer, ser regular e sentir prazer (falando em prazer, lembre-se que muitas pessoas deixam inclusive de ter atividade sexual com medo da dor!). Por exemplo, caminhar, correr, andar de bicicleta, nadar, praticar yoga e pilates têm efeitos semelhantes para dor lombar e são igualmente seguros. Por que excluir dessa lista atividades como musculação, cross fit, ginástica, capoeira, futebol, entre outras? Sabe-se que o exercício físico reduz quase que pela metade o risco de recorrência de lombalgia. Então, você terapeuta liberte-se de orientações sem evidência e você paciente recupere prazer e segurança na sua prática da sua atividade física preferida.

Quanto mais frequente for a prática da atividade física preferida, melhor. Plante e ajude pessoas a colher os múltiplos benefícios do exercício. Porém, fiquem atentos: Nem todos moram em cidades com condições perfeitas e seguras para se exercitarem ou ainda possuem condições financeiras para tal. Logo, sempre considerem a perspectiva de cada indíviduo e orientem da melhor maneira possível.

Texto: Jássica Fernades (Colaboradora do blog Coluna e Dor)