20 de março de 2019

Não se afobe, não…

Quem nunca sofreu uma dor de cabeça, resfriado, diarréia, febre, cansaço, ou ainda, tristeza?
Quem nunca sofreu uma dor de cabeça, resfriado, diarréia, febre, cansaço, ou ainda, tristeza?

Esses episódios são comuns no decorrer da vida da maioria das pessoas, assim como dores na coluna. Em algum momento de suas vidas, cerca de 90% das pessoas irão apresentar um episódio de dor na coluna lombar, popularmente chamada de dor nas costas. Sendo assim, as dores lombares não devem ser consideradas como algo raro ou sério.
Em média uma dor lombar pode melhorar espontaneamente entre 6 a 8 semanas, sem ajuda de qualquer profissional de saúde. Chamamos esse fenômeno de história natural da doença, onde observamos como é a evolução do indivíduo desde o aparecimento do sintoma até sua recuperação. Esse dado não deveria ser ignorado ou menosprezado pelos pacientes e muito menos pelos profissionais de saúde. Logo, se é algo muito comum e com bom prognóstico (boa evolução), é mais útil nos motivarmos a tentar compreender os gatilhos para a dor lombar e entender e modificar o comportamento dos indivíduos do que gastar energia e rios de dinheiro em programas ou orientações para prevenir a dor lombar.

A dor lombar pode se tornar persistente e incapacitante, fazendo com que as pessoas fiquem muito tempo preocupadas, angustiadas, com medo ou evitando de se exporem à prática de exercícios físicos ou mesmo de atividades rotineiras ou, ainda, levando ao afastamento do trabalho. Isso leva a maioria das pessoas a procurar ajuda de profissionais de saúde, como médicos e fisioterapeutas.
Recentemente, estudos científicos vem demonstrando que muitos dos tratamentos oferecidos não são tão eficazes quanto pensávamos ou ainda adequados e, muitas vezes, podem ser caros e prejudiciais. Se a dor não se resolve imediatamente, as pessoas se desesperam, procuram atendimento emergencial e acabam sendo orientadas a fazer uso de medicamentos e a realizar uma gama de testes e exames.
Uma considerável parte das pessoas com dor lombar acredita que exames como raio X ou ressonância magnética nuclear podem identificar a causa de suas dores. Na maioria dos casos, através de uma boa avaliação clínica, é possível identificar sinais e sintomas que possam sugerir doença grave. Um pequeno grupo, apenas 1% das pessoas com dores lombares, apresenta doenças graves (como por exemplo, tumores, infecções, fraturas) e necessita ser submetido à uma minuciosa investigação e a buscar tratamentos mais específicos.

Outra crença bastante comum é o uso de fármacos. No país onde existe a cultura da farmácia acessível, onde muitas vezes existe mais de uma farmácia por quarteirão (!!!) e onde todo vizinho ou amigo receita aquele remédio infalível, é muito frequente observarmos o uso e abuso de analgésicos, anti-inflamatórios e até mesmo, opióides, medicamentos que atuam no sistema nervoso central e podem causar danos e dependência, apesar de nenhum medicamento ter se mostrado eficaz a longo prazo no acelerador de recuperação.

A idéia central aqui é a de que não devemos nos apressar para buscar tratamentos milagrosos. Como já disse Chico Buarque, “não se afobe, não que nada é pra já”. Leva tempo, requer paciência, regularidade na prática de exercícios físicos, manutenção de um estilo de vida saudável e ganho de confiança e resiliência da população em geral. Se manter ativo, dormir bem, adotar um lazer e buscar controlar o estresse parecem agrupar fatores de um bom enfrentamento para um mal que uma hora ou outra irá nos acometer. E tudo bem! Faz parte da vida! Que deve ser vivida e não sofrida!
Então se você está sentindo uma dor lombar aguda nesse exato momento, evite o repouso total. Movimente-se dentro do que você tolera e é capaz de realizar nesse momento. No nosso próximo encontro, irei falar sobre exercícios físicos e dSalvaror lombar.

Por Jéssica Fernandez

Texto original publicado no blog Dor e Coluna (https://dorecoluna.com/2019/01/14/nao-se-afobe-nao/)