25 de abril de 2019

É possível encontrar alterações degenerativas na coluna lombar e cervical em pessoas assintomáticas?

As alterações degenerativas na coluna lombar são muito comuns com o aumento da idade e esses achados não necessariamente estão relacionados à queixa de dor através do exame de imagem.
Alterações degenerativas da coluna lombar são comumente encontradas em pacientes após realizarem exames de imagem da coluna (Raio-X, Tomografia e Ressonância Magnética), com queixa de dor, bem como naqueles sem relato de dor.

Para avaliar essa condição, um estudo realizado por Brinjikji et al 2015 e publicado na revista American Journal of Neuroradiology, avaliou 3110 indivíduos sem queixa de dor lombar através de exames de tomografia e ressonância magnética.

Os resultados encontrados indicaram que a prevalência de degeneração discal em indivíduos assintomáticos aumentou de 37% dos indivíduos de 20 anos para 96% dos indivíduos com 80 anos de idade. A prevalência de abaulamento de discal aumentou de 30% dos 20 anos para 84% daqueles com 80 anos de idade. A prevalência de protrusão de discal aumentou de 29% dos 20 anos de idade para 43% dos 80 anos de idade. A prevalência de fissura anular aumentou de 19% dos 20 anos para 29% dos 80 anos de idade.
 
Os achados revelam que há um acréscimo das alterações degenerativas da coluna lombar com o aumento da idade em indivíduos assintomáticos e esses achados são caraterísticas normais do envelhecimento e que provavelmente não estão associados à dor, contudo, devem ser interpretados no contexto da condição clínica de cada paciente.
 
Outro estudo publicado na revista Spine no ano de 2015, avaliou 1211 indivíduos de ambos os sexos, entre 20 a 70 anos de idade, sem relatos de dores em região do pescoço através da ressonância magnética.

Os resultados mais uma vez mostraram que a maioria dos indivíduos apresentaram um acréscimo significativo das alterações estruturais com o envelhecimento. Para a maioria dos indivíduos na faixa dos 20 anos apresentavam abaulamento discal (73,3% para homens / 78,0% para mulheres) e estes números aumentaram com a idade, particularmente após os 50 anos de idade.

Os resultados deste estudo nos alertaram para o fato de que a tomada de decisão clínica deve ser cautelosa, correlacionando os achados de ressonância com sinais e sintomas clínicos. Estudos futuros são necessários para identificar anormalidades na ressonância magnética com o surgimento de degeneração cervical sintomática. 
 
Texto: Frederico Quinteiro, Fisioterapeuta (Crefito15 114375)
 
Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4464797/
Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25584950